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TECNOLOGIA

Método desenvolvido na UFG amplia capacidade de detectar LSD em pequenas concentrações

Tecnologia portátil foi testada com sucesso em amostras apreendidas pela Polícia Científica de Goiás

Por Luiz Felipe Fernandes
04/09/2026 às 10:53 • 3 min leitura
Método desenvolvido na UFG amplia capacidade de detectar LSD em pequenas concentrações
Pós-doutoranda Larissa Melo é uma das pesquisadoras envolvidas no estudo. Carlos Siqueira/Secom UFG

Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveram um método de triagem capaz de identificar LSD mesmo em concentrações muito pequenas. A tecnologia, que reúne diferentes formas de análise em um dispositivo portátil, foi testada com sucesso em amostras apreendidas pela Polícia Científica de Goiás.

O método foi desenvolvido no Grupo de Microfluídica e Eletroforese (GME), do Instituto de Química (IQ) da UFG, e apresentado à equipe do Laboratório de Narcóticos (Lanarc) da Polícia Científica durante visita técnica realizada em 26 de agosto, a convite das peritas Mariana Bonfim e Thaynara Lino. Todas as amostras suspeitas de conter LSD analisadas durante a demonstração apresentaram resultados compatíveis com exames confirmatórios realizados anteriormente pelo laboratório.

A pesquisa é conduzida pela pós-doutoranda Larissa Melo, com a colaboração de outros dois pesquisadores do GME — Daniel dos Santos e Daniel de Paula —, sob supervisão do professor Wendell Coltro. O objetivo é desenvolver uma ferramenta de triagem que possa ser utilizada de forma rápida e portátil, inclusive fora de laboratórios com infraestrutura mais complexa.

Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG.
Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG. Carlos Siqueira/Secom UFG
Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG.
Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG. Carlos Siqueira/Secom UFG
Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG.
Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG. Carlos Siqueira/Secom UFG
Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG.
Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG. Carlos Siqueira/Secom UFG
Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG.
Equipe do Grupo de Microfluídica e Eletroforese do Instituto de Química da UFG. Carlos Siqueira/Secom UFG
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Uma amostra, três respostas

A metodologia utiliza três respostas analíticas. A primeira é eletroquímica, baseada na medição de sinais elétricos associados às substâncias analisadas. A segunda é colorimétrica, isto é, utiliza mudanças de cor provocadas por uma reação química. Por fim, é obtida uma nova resposta eletroquímica depois da reação colorimétrica. "A combinação dessas três respostas analíticas confere robustez ao método, dá uma credibilidade maior e a resposta é mais confiável", ressalta Larissa.

Ela explica que a possibilidade de identificar concentrações muito baixas é um dos principais diferenciais do método. Isso porque testes de triagem baseados exclusivamente em reações colorimétricas podem não apresentar sensibilidade suficiente para detectar determinadas quantidades das substâncias.

Segundo a pesquisadora, o desenvolvimento buscou também preparar a metodologia para diferentes formas de apresentação das substâncias. Nos experimentos, o grupo realizou análises em amostras como selos de papel, comprimidos e bebidas, além de materiais biológicos, como saliva, urina, sangue e fluido nasal.

A equipe também simulou a coleta relacionada ao uso de spray nasal, inclusive com a produção, em impressora 3D, de uma estrutura semelhante a um nariz para testar a aplicação.

Uso recreativo x terapêutico

A preocupação com a detecção de baixas concentrações da droga também está relacionada às mudanças nas formas de uso do LSD observadas em outros países. De acordo com a pesquisadora, a equipe partiu da necessidade de desenvolver um método capaz de trabalhar com microdoses, inclusive diante do uso da substância em contextos terapêuticos e recreativos.

Larissa relata que, nos Estados Unidos e em alguns países europeus, o LSD tem sido utilizado em microdoses em contextos terapêuticos relacionados, por exemplo, à depressão e à ansiedade. Ao mesmo tempo, segundo ela, essas mesmas apresentações em baixas doses passaram a aparecer em situações de uso recreativo. Nesse cenário, a capacidade de identificar concentrações muito pequenas torna-se essencial na análise das amostras.

Para a pesquisadora, acompanhar essas transformações é importante porque o mercado de substâncias muda rapidamente, e padrões de consumo observados em outros países podem aparecer no Brasil.

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