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EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

Jogo transforma centro histórico da Cidade de Goiás em museu interativo

Com versões digital e de tabuleiro, "Goyaz" utiliza elementos do patrimônio cultural para promover aprendizagem

Por Kharen Stecca
03/11/2026 às 12:29 • 3 min leitura
Jogo transforma centro histórico da Cidade de Goiás em museu interativo
Professora Ariane Borges (em pé, à direita) explica dinâmica do jogo. Arquivo Pessoal

Transformar as ruas de pedra da Cidade de Goiás em espaços de aprendizagem sobre o patrimônio cultural e o turismo sustentável. Essa é a proposta de Goyaz, jogo interativo desenvolvido pela professora Ariane Borges, do curso de Arquitetura do Campus Cidade de Goiás da Universidade Federal de Goiás (UFG), no âmbito de sua pesquisa de doutorado. Com versões digital e de tabuleiro, o jogo busca estimular o conhecimento e a valorização da história e da cultura da antiga capital goiana.

Baseado em localização, o jogo é ambientado no centro histórico da cidade e oferece uma experiência lúdica diretamente atrelada ao espaço físico real. Por meio de um dispositivo móvel, os usuários percorrem o centro histórico interagindo com elementos do patrimônio.

O projeto tem uma versão em tabuleiro, que também pode ser usada como ferramenta de ensino em ambientes escolares. A proposta é inovadora por não se restringir a um museu isolado, mas por abranger a cidade inteira, funcionando como uma visita guiada tecnológica que valoriza a memória local

Na versão digital, usuário percorre pontos importantes da Cidade de Goiás.
Na versão digital, usuário percorre pontos importantes da Cidade de Goiás. Arquivo Pessoal

Uma jornada pelo patrimônio e cultura

A dinâmica do jogo é envolvente: o jogador escolhe um entre diversos personagens inspirados em figuras típicas da cidade — como a senhora religiosa, o artesão, o músico, a gastrônoma e a fotógrafa. Cada personagem possui habilidades ou bônus específicos baseados em sua área de especialidade.

O percurso completo requer uma caminhada de cerca de 5,3 quilômetros, estendendo-se do Museu das Bandeiras, ao sul, até o Chafariz da Carioca e a Igreja de Santa Bárbara, ao norte, no perímetro do centro histórico da cidade.

Ao longo do trajeto, os jogadores coletam cartas que representam cerca de 90 itens do patrimônio, divididos em categorias como Arquitetura; Arte, Artesanato e Técnicas Construtivas Tradicionais; Gastronomia Típica (incluindo doces cristalizados, empadão e pamonha); Música, Lendas e Personalidades; Eventos e Festividades Tradicionais; Paisagem; Fauna e Flora.

A narrativa do jogo situa o jogador 200 anos no futuro, quando as memórias da humanidade estão se perdendo devido ao uso excessivo do armazenamento de dados em nuvens e da inteligência artificial. Uma equipe de especialistas é então enviada de volta ao presente para resgatar o patrimônio e preservá-lo para as gerações futuras. 

Desenvolvido com base em entrevistas com a própria comunidade — incluindo moradores do quilombo Alto Santana —, Goyaz não é apenas um entretenimento tecnológico, mas um projeto de preservação da identidade cultural que transforma o ato de caminhar pela cidade em uma experiência de descoberta e aprendizado.

Implementação e acessibilidade

O jogo está em sua fase final de desenvolvimento e redação de conteúdo. Sua implementação seguirá um cronograma estratégico para maximizar o impacto turístico e educativo. O aplicativo será disponibilizado para download gratuito e contará com recursos de áudio para garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência visual ou para facilitar a leitura sob a luz solar intensa, que muitas vezes dificulta a visibilidade em telas.

O jogo é uma iniciativa que se soma às comemorações do tricentenário da Cidade de Goiás, servindo como uma ferramenta de valorização da história local para moradores e visitantes. Em 2027, o jogo irá compor a programação do 4º Simpósio de Geogames, que será sediado na cidade. O evento atrai pesquisadores e desenvolvedores do mundo todo, que poderão experienciar o jogo em português e inglês.

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