De flor em flor, o aprendizado acontece
Jogo Meliponários usa a lógica das abelhas na polinização para construir saberes
Uma ferramenta pedagógica capaz de se adaptar a qualquer conteúdo escolar, desde a complexidade da Física Térmica até a Geografia, passando pelas operações fundamentais da Matemática. Essa é a ideia central do Meliponários, um jogo educativo desenvolvido de forma conjunta na cidade de Goiás.
O jogo utiliza a ludicidade para reforçar o conhecimento de forma flexível e dinâmica. O projeto destaca-se por sua estrutura aberta, permitindo que professores de diferentes áreas elaborem seus próprios kits de perguntas para atender às necessidades específicas de cada turma.
O processo de criação, prototipagem e testagem contou com os participantes do Programa de Iniciação à Docência da Licenciatura em Educação do Campo e com professores da Universidade Federal de Goiás (UFG), Campus Cidade de Goiás, entre eles Ariane Magda Borges, Raul Isaías Campos e Vítor de Almeida Silva.
O nome do jogo não é por acaso. Meliponários utiliza a lógica das abelhas e o processo de polinização como uma metáfora para a construção do saber, em que o conhecimento é "polinizado" à medida que os jogadores interagem com o conteúdo.
Mente e movimento
O Meliponários vai além do tradicional exercício mental de perguntas e respostas. Sua mecânica é dividida em categorias representadas por cores que homenageiam a flora do Cerrado: as casas amarelas, que representam a flor do Ipê Amarelo, são as questões de múltipla escolha; as casas vermelhas (Flor de Mulungu), são as perguntas com resposta única; e as casas em lilás (Flor de Jacarandá), são as minigincanas, que trazem o movimento para o jogo, com brincadeiras como a corrida do saco, dança das cadeiras, entre outras.
"Essa integração entre o esforço intelectual e a atividade física promove também o resgate de brincadeiras tradicionais e a divulgação entre as novas gerações", explica Ariane. Dessa forma, o jogo também combate o sedentarismo e o uso excessivo de celulares entre as crianças.
Do tabuleiro físico ao tamanho real
A inovação do projeto ganha escala real na Escola Terezinha de Jesus, em Buenolândia, distrito da Cidade de Goiás. O que antes era um protótipo de mesa está prestes a se tornar um tabuleiro gigante pintado no pátio da escola, com 12 metros de comprimento por três metros de largura. Nessa versão em escala real, os próprios alunos atuarão como as peças do jogo, percorrendo o caminho das flores e vivenciando o aprendizado de forma imersiva.
A proposta do Meliponários é ser um jogo flexível. "Ele foi testado com sucesso em diversos conteúdos escolares de disciplinas como Geografia, Química e Física, provando ser uma plataforma eficaz no processo de formação de novos professores e para o engajamento dos estudantes", explica a professora.
O potencial do jogo já atravessou fronteiras, tendo sido apresentado no 3º Simpósio Internacional de Geogames, nos Estados Unidos, onde especialistas de diversas áreas confirmaram seu valor pedagógico e social.
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