Simpósio promove diálogo interdisciplinar sobre o envelhecimento
Evento apresentou pesquisas e projetos de extensão voltados à saúde, autonomia e qualidade de vida da pessoa idosa
A Universidade Federal de Goiás (UFG) sediou, na última sexta-feira (16/10), o 2º Simpósio Interdisciplinar de Envelhecimento. Com o tema "Envelhecimento em ação: experiências em formação, pesquisa, extensão e cuidado", o evento foi aberto com o desfile "Das mãos que tecem rastros de linha", coordenado pela professora Isadora Santos Medeiros, da Faculdade de Artes Visuais (FAV).
As peças apresentadas foram confeccionadas por mulheres idosas participantes do projeto Rede Costura, desenvolvido em parceria entre a UFG e o Sesc Mesa Brasil.
Acesse aqui as fotos do evento.
A programação também contou com painéis de conversas mediadas que reuniram diferentes áreas do conhecimento, como moda, fisioterapia, odontologia, educação física e enfermagem. A proposta foi compartilhar experiências, discutir pesquisas em andamento e promover o diálogo entre as diferentes dimensões do envelhecimento.
Para Ruth Losada, coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Envelhecimento (Nipee UFG 60+), essa segunda versão do simpósio veio com o objetivo de agregar experiências de ensino, pesquisa e extensão direcionadas para pessoas idosas na universidade.
"Nós vivemos hoje um envelhecimento populacional e a Universidade tem um papel muito importante em formar profissionais preparados para lidar com esse envelhecimento. [...] Então a ideia também é estimular outras unidades acadêmicas a participar desse movimento, que é muito importante porque todos nós vamos envelhecer e nós vamos precisar de todas as profissões e recursos humanos preparados para lidar com o envelhecimento".
A pró-reitora adjunta de Pesquisa e Inovação, Natália Del Angelo Aredes, destacou que as pesquisas sobre envelhecimento na UFG abrangem diferentes áreas do conhecimento, incluindo saúde, economia e questões sociais. Para ela, essa articulação é fundamental para enfrentar os desafios relacionados à longevidade.
O coordenador da segunda edição do Simpósio Interdisciplinar de Envelhecimento, Túlio Eduardo Nogueira, destacou a importância de ampliar as discussões sobre o tema para combater o etarismo, caracterizado pelo preconceito relacionado à idade. Para Túlio, promover esse debate na Universidade é uma forma de contribuir para o reconhecimento das pessoas idosas e para a preparação de profissionais de diferentes áreas para lidar com os desafios da longevidade.
Projeto 90+
Entre as iniciativas desenvolvidas pela UFG está o projeto 90+, coordenado pela professora Valéria Pagotto, da Faculdade de Enfermagem (FEN), que realizou o mapeamento de pessoas com mais de 90 anos no estado de Goiás. O objetivo do projeto é mapear e observar questões como saúde, funcionalidade e bem-estar dessas pessoas.
Segundo a pró-reitora adjunta da PRPI, o levantamento é importante para ampliar o conhecimento sobre essa população e contribuir para a elaboração de políticas públicas específicas para pessoas nessa faixa etária.
Outro projeto é o Revitalizar-se, criado em 2009 na Faculdade de Educação Física (FEF). O projeto busca promover qualidade de vida, autonomia e saúde para pessoas idosas por meio de atividades físicas. Atualmente, cerca de 180 pessoas participam das atividades, que incluem hidroginástica — modalidade mais procurada pelos participantes —, dança, ginástica e práticas voltadas ao fortalecimento do corpo.
Segundo a professora Vanessa Dalla Déa, criadora e coordenadora do projeto, mais de mil pessoas já passaram pela iniciativa desde sua criação. Alguns participantes, inclusive, frequentam as atividades desde os primeiros anos do projeto. Para a professora, o acolhimento é um dos fatores que contribuem para essa permanência: "Se ela [a pessoa idosa] se sente acolhida e sente que está tendo benefício, ela fica".
Feira da Amizade
Durante o evento, que foi sediado na Adufg-Sindicato, foi promovida a Feira da Amizade, que reuniu cerca de 12 mulheres idosas que produzem artesanatos em casa e expõem seus trabalhos em eventos do Centro de Referência e Atenção à Saúde da Pessoa Idosa (Craspi), em Goiânia.
Entre os produtos confeccionados estão panos de prato, forros de mesa e de cama, agendas personalizadas e livros de receitas. A iniciativa surgiu a partir de um grupo de amigos da instituição e cresceu ao longo do tempo, tornando-se um espaço de exposição e comercialização das peças produzidas pelas participantes.
Além de possibilitar a comercialização de produtos, a feira é um espaço de interação social. Maria Luisa da Silva, de 74 anos, começou a frequentar o Craspi há muitos anos. Desde que entrou, já fez cursos de bordado em ponto cruz, pintura, crochê, artesanato, biscuit, fuxico e culinária.
Já Maria Luiza explicou que começou a frequentar centros como o Craspi como uma forma de tentar driblar a depressão. "Para mim, artesanato é uma coisa que me preenche, que eu me entretenho, que eu esqueço até da solidão. É muito bom. Quem faz o bordado, quem participa do artesanato, sabe que é uma coisa que não tem limite de alegria".
BRASIL