El Niño deve trazer calor acima da média e chuvas irregulares a Goiás até o início de 2027
Nota conjunta traz recomendações relacionadas a agricultura, queimadas e saúde
Um El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. de intensidade muito forte, já em curso no Pacífico, deve se prolongar até o início de 2027 e alterar o comportamento do clima em Goiás: mais calor e chuvas mais irregulares, com risco de atraso na consolidação da estação chuvosa. É o que mostra a Nota Informativa conjunta "El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. em Goiás 2026/2027: cenários, possíveis impactos e recomendações", elaborada por cinco Centros de Excelência fomentados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).
O El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. é o aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical central e leste. Esse aquecimento desloca as áreas onde o ar sobe e forma nuvens de chuva, o que muda a circulação da atmosfera em escala global. Em Goiás, o efeito costuma ser indireto: a umidade que vem da Amazônia para o Brasil Central enfraquece, o que favorece o atraso da estação chuvosa, mais veranicos (períodos secos em plena época de chuva), temperaturas mais altas e maior suscetibilidade a queimadas.
Os centros de previsão indicam muito alta probabilidade de El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. até abril de 2027, com anomalias de temperatura do mar na região Niño 3.4 acima de 2,5 °C no trimestre outubro–dezembro, patamar que caracteriza um evento muito forte. Para Goiás, as projeções apontam probabilidade de 70% a 90% de temperaturas acima da média na maior parte do estado e maior chance de chuvas abaixo da média entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Em outubro, a chuva deve ficar próxima do normal na maior parte do território, com sinal de chuva acima da média no sul e no sudoeste, ainda assim com distribuição irregular.
A Nota lembra que o El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. não age sozinho: frentes frias, cavados e outros sistemas atmosféricos também influenciam o resultado. Por isso, o documento trata as projeções como cenários de risco que exigem acompanhamento contínuo, e não como previsão de que todos os impactos ocorrerão com a mesma intensidade em todo o estado.
O histórico confirma essa cautela: nos dois El Niños muito fortes anteriores (1982/1983 e 2015/2016), Goiás teve respostas bem diferentes. Em 2015, a primavera foi marcada por déficit de chuva amplo e temperaturas de 2 °C a 3 °C acima da média; em 1982/1983, o verão foi extremamente chuvoso.
O documento reúne o CEMPA-Cerrado (meteorologia e monitoramento ambiental), o Cehidra Cerrado (segurança hídrica), o CETI-Saúde (tecnologia e inovação em saúde), o CEGGen (genética e genômica) e o CEAGRE (agricultura exponencial), sediados na UFG, na UEG, na PUC Goiás e no IF Goiano. A proposta é colocar a capacidade científica dessas instituições à disposição de gestores públicos, setores produtivos e da população, para antecipar riscos e subsidiar decisões nos próximos meses.
Recomendações
A síntese da Nota aponta cinco frentes: intensificar o monitoramento climático e hidrometeorológico; acompanhar de forma integrada a oferta e a demanda de água, com uso racional e proteção de nascentes e matas ciliares; fortalecer o planejamento agrícola; reforçar a prevenção e o combate a queimadas; e ampliar a vigilância em saúde e a preparação da rede assistencial. Tudo isso, segundo o documento, depende da integração contínua entre instituições científicas, órgãos públicos e setores produtivos.
Para o diretor-executivo do CEMPA-Cerrado, Manuel Eduardo Ferreira, a Nota, "além de apontar para a importância de um acompanhamento constante dos impactos do El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial., de forma a reduzir riscos para as atividades econômicas e para a população, mostra a alta capacidade da ciência produzida em Goiás, com apoio da Fapeg, para apoiar políticas públicas e o planejamento econômico".
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