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METEOROLOGIA

El Niño deve trazer calor acima da média e chuvas irregulares a Goiás até o início de 2027

Nota conjunta traz recomendações relacionadas a agricultura, queimadas e saúde

Por Redação
07/10/2026 às 16:29 • 4 min leitura
El Niño deve trazer calor acima da média e chuvas irregulares a Goiás até o início de 2027
Calor aumenta preocupação com queimadas e saúde. Sinterc DF-GO

Um El Niño de intensidade muito forte, já em curso no Pacífico, deve se prolongar até o início de 2027 e alterar o comportamento do clima em Goiás: mais calor e chuvas mais irregulares, com risco de atraso na consolidação da estação chuvosa. É o que mostra a Nota Informativa conjunta "El Niño em Goiás 2026/2027: cenários, possíveis impactos e recomendações", elaborada por cinco Centros de Excelência fomentados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).

O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical central e leste. Esse aquecimento desloca as áreas onde o ar sobe e forma nuvens de chuva, o que muda a circulação da atmosfera em escala global. Em Goiás, o efeito costuma ser indireto: a umidade que vem da Amazônia para o Brasil Central enfraquece, o que favorece o atraso da estação chuvosa, mais veranicos (períodos secos em plena época de chuva), temperaturas mais altas e maior suscetibilidade a queimadas.

Os centros de previsão indicam muito alta probabilidade de El Niño até abril de 2027, com anomalias de temperatura do mar na região Niño 3.4 acima de 2,5 °C no trimestre outubro–dezembro, patamar que caracteriza um evento muito forte. Para Goiás, as projeções apontam probabilidade de 70% a 90% de temperaturas acima da média na maior parte do estado e maior chance de chuvas abaixo da média entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Em outubro, a chuva deve ficar próxima do normal na maior parte do território, com sinal de chuva acima da média no sul e no sudoeste, ainda assim com distribuição irregular.

A Nota lembra que o El Niño não age sozinho: frentes frias, cavados e outros sistemas atmosféricos também influenciam o resultado. Por isso, o documento trata as projeções como cenários de risco que exigem acompanhamento contínuo, e não como previsão de que todos os impactos ocorrerão com a mesma intensidade em todo o estado.

O histórico confirma essa cautela: nos dois El Niños muito fortes anteriores (1982/1983 e 2015/2016), Goiás teve respostas bem diferentes. Em 2015, a primavera foi marcada por déficit de chuva amplo e temperaturas de 2 °C a 3 °C acima da média; em 1982/1983, o verão foi extremamente chuvoso.

O documento reúne o CEMPA-Cerrado (meteorologia e monitoramento ambiental), o Cehidra Cerrado (segurança hídrica), o CETI-Saúde (tecnologia e inovação em saúde), o CEGGen (genética e genômica) e o CEAGRE (agricultura exponencial), sediados na UFG, na UEG, na PUC Goiás e no IF Goiano. A proposta é colocar a capacidade científica dessas instituições à disposição de gestores públicos, setores produtivos e da população, para antecipar riscos e subsidiar decisões nos próximos meses.

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CEMPA-Cerrado

Recomendações

A síntese da Nota aponta cinco frentes: intensificar o monitoramento climático e hidrometeorológico; acompanhar de forma integrada a oferta e a demanda de água, com uso racional e proteção de nascentes e matas ciliares; fortalecer o planejamento agrícola; reforçar a prevenção e o combate a queimadas; e ampliar a vigilância em saúde e a preparação da rede assistencial. Tudo isso, segundo o documento, depende da integração contínua entre instituições científicas, órgãos públicos e setores produtivos.

Para o diretor-executivo do CEMPA-Cerrado, Manuel Eduardo Ferreira, a Nota, "além de apontar para a importância de um acompanhamento constante dos impactos do El Niño, de forma a reduzir riscos para as atividades econômicas e para a população, mostra a alta capacidade da ciência produzida em Goiás, com apoio da Fapeg, para apoiar políticas públicas e o planejamento econômico".

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