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MEMÓRIA

Artista instala réplica da cadeira com cápsula de césio em quatro pontos de Goiânia

Intervenção destaca ação decisiva de Maria Gabriela ao levar material radioativo à Vigilância Sanitária

Por Redação
24/09/2026 às 17:40 • 2 min leitura
Artista instala réplica da cadeira com cápsula de césio em quatro pontos de Goiânia
Cadeira instalada na Rua 26-A, onde a cápsula com o césio foi aberta. Tarsilla Couto de Brito

Há 39 anos, no dia 28 de setembro de 1987, Maria Gabriela Ferreira colocava dentro de um saco de linhagem o estranho vasilhame metálico que o marido havia levado para casa e partia, de ônibus, rumo à Vigilância Sanitária de Goiânia. No órgão público, entregou o material a um funcionário, que o colocou em uma cadeira, lá permanecendo por um tempo que pareceu infinito.

O que até aquele momento quase ninguém sabia é que dentro do saco estava a cápsula com o césio-137. Com sua intuição e coragem, Maria Gabriela ajudou a evitar que a contaminação com o material radioativo fosse ainda maior. A imagem da cadeira com o saco contendo a cápsula foi eternizada na fotografia de Lourisvaldo de Paula, publicada no jornal O Popular.

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Cadeira com a cápsula de césio foi fotografada por Lourisvaldo de Paula.
Cadeira com a cápsula de césio foi fotografada por Lourisvaldo de Paula. Reprodução/O Popular

Agora, por meio da ação intitulada Áspera espera, o artista e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Glauco Gonçalves tira a cadeira de dentro do ano de 1987 e a instala nos mesmos pontos pelos quais a cápsula deixou de ser uma prova da negligência criminosa permanente e passou a ser o mortífero pó azul. As réplicas foram colocadas em um dos portões do Centro de Convenções de Goiânia, nos terrenos das ruas 57 e 26-A, e em frente ao Palácio das Esmeraldas.

“Foram quatro os lugares. O que os liga é uma sintaxe de violência e desdém. Primeiro abandonada pelos donos do Instituto Goiano de Radioterapia para, em seguida, circular por ruas que hoje não querem dizer mais nada, até encontrar as mãos da mulher que a retirou dessa roda da desgraça e exigiu o que nunca foi concedido: responsabilidade”, discorre Glauco.

Uma das cadeiras foi instalada em frente ao Palácio das Esmeraldas.
Uma das cadeiras foi instalada em frente ao Palácio das Esmeraldas. Tarsilla Couto de Brito
Terreno na Rua 57 também recebeu uma réplica.
Terreno na Rua 57 também recebeu uma réplica. Tarsilla Couto de Brito
Outro ponto escolhido foi o Centro de Convenções, onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia.
Outro ponto escolhido foi o Centro de Convenções, onde funcionava o Instituto Goiano de Radioterapia. Tarsilla Couto de Brito
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Com fotografias de Tarsilla Couto de Brito, também professora da UFG, e coprodução de Henrique De La Fonte, a cadeira impõe-se como metonímia da memória que se multiplica pela cidade. Segundo os autores, a instalação de uma das cadeiras no Palácio das Esmeraldas é uma insurgência contra aqueles que deveriam ter cuidado de Maria Gabriela e dos seus.

Para eles, Áspera espera "retoma e continua o gesto de Maria Gabriela, insistindo em combater a amnésia meticulosamente produzida, propondo um deslocamento da narrativa que dá ênfase à ação da mulher que salvou o futuro".

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