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MEIO AMBIENTE

Araras-canindé ocupam espaços na paisagem urbana de Goiânia

Presença das aves está ligada à disponibilidade de áreas verdes, mas pode revelar impactos ambientais

Por Rafaela Martins
20/10/2026 às 08:35 • 3 min leitura
Araras-canindé ocupam espaços na paisagem urbana de Goiânia
Araras têm se adaptado à vida na capital goiana. Humberto Lima

As araras-canindé têm se tornado uma presença frequente na paisagem de Goiânia. Com mais de 30 parques e bosques, a cidade oferece áreas verdes que favorecem a presença dessas aves. Apesar das diferenças entre o ambiente urbano e seu habitat natural, as araras-canindé, caracterizadas pela coloração predominantemente azul e amarela, têm se adaptado à vida na capital.

Embora a presença crescente dessas aves na capital goiana esteja relacionada à disponibilidade de áreas verdes e recursos, ela pode indicar alterações nos ambientes naturais. "Há cerca de dez anos não se via tantas araras em Goiânia quanto se vê agora. O que provavelmente favoreceu esse aumento foi a degradação de áreas naturais, que ‘empurrou’ as araras para a cidade, onde se adaptaram à configuração de uma paisagem urbana com árvores, parques e bosques", explica o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Carlos Bianchi, especialista no estudo de aves. 

Com a degradação dos habitats naturais, não somente as araras, mas também muitos animais são obrigados a procurar novos ambientes para viverem, e cidades como Goiânia se tornam locais alternativos para abrigo por possuírem uma arborização considerável e recursos como alimentos, abrigos e locais para construção de ninhos.

Presença das araras também indica mudanças nos ambientes naturais.
Presença das araras também indica mudanças nos ambientes naturais. Carlos Bianchi

Entretanto, o ambiente urbano não é totalmente adequado para elas, contendo riscos ao seu bem-estar. "As cidades são barulhentas, cheias de pessoas, luzes, veículos e de construções enormes que modificam a paisagem. A poluição também é um fator relevante, visto que a quantidade de gases e fuligem nos centros urbanos é alta. Já existem estudos que sugerem o impacto desses fatores na genética das aves", acrescenta o professor.

Casos como atropelamentos, acidentes com linha de cerol, filhotes e adultos feridos por quedas de palmeiras com ninhos são comuns no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), e mostram que a população não está preparada para receber essas aves no meio urbano.

Carlos considera que o ideal seria fazer campanhas de educação ambiental para mostrar às pessoas o que se pode fazer para ajudar. "Já ouvi relatos sobre pessoas que mandaram podar cachos de frutos de palmeiras para que as araras não pousassem para comer, pois o barulho incomoda, ou então soltam fogos de artifício para espantá-las. Nesses casos, é importante lembrar que existe legislação ambiental específica que prevê sanções para este tipo de ação".

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