Simpósio discute envelhecimento de forma interdisciplinar
Evento teve paineis de conversas mediadas, feira da amizade e projetos da UFG sobre envelhecimento
A Universidade Federal de Goiás (UFG) sediou, na última sexta-feira (16), o 2º Simpósio Interdisciplinar de Envelhecimento. Com o tema “Envelhecimento em ação: experiências em formação, pesquisa, extensão e cuidado”, o evento foi aberto com o desfile “Das mãos que tecem rastros de linha”, coordenado pela professora Isadora Santos Medeiros, da Faculdade de Artes Visuais (FAV/UFG). As peças apresentadas foram confeccionadas por mulheres idosas participantes do projeto Rede Costura, desenvolvido em parceria entre a UFG e o Sesc Mesa Brasil. Confira as fotos do evento.
A programação também contou com painéis de conversas mediadas que reuniram diferentes áreas do conhecimento, como moda, fisioterapia, odontologia, educação física e enfermagem. A proposta foi compartilhar experiências, discutir pesquisas em andamento e promover o diálogo entre as diferentes dimensões do envelhecimento.
Para Ruth Losada, coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Envelhecimento (Nipee/UFG 60+), essa segunda versão do simpósio veio com o objetivo de agregar experiências de ensino, pesquisa e extensão direcionadas para pessoas idosas na universidade. “Nós vivemos hoje um envelhecimento populacional e a universidade tem um papel muito importante em formar profissionais preparados para lidar com esse envelhecimento [...] Então a ideia também é estimular outras unidades acadêmicas, a participar desse movimento que é muito importante porque todos nós vamos envelhecer e nós vamos precisar de todas as profissões e recursos humanos, preparados para lidar com envelhecimento ", acrescenta.
A Pró-reitora Adjunta de Pesquisa e Inovação, e professora da Faculdade de Enfermagem (FEN), Natália Del Angelo Aredes, destacou que as pesquisas sobre envelhecimento na UFG abrangem diferentes áreas do conhecimento, incluindo saúde, economia e questões sociais. Para ela, essa articulação é fundamental para enfrentar os desafios relacionados à longevidade.
O coordenador da segunda edição do Simpósio de Envelhecimento, Túlio Eduardo Nogueira destacou a importância de ampliar as discussões sobre o envelhecimento para combater o etarismo, caracterizado pelo preconceito relacionado à idade. Para Túlio, promover esse debate na universidade é uma forma de contribuir para o reconhecimento das pessoas idosas e para a preparação de profissionais de diferentes áreas para lidar com os desafios da longevidade.
Projeto 90+
Entre as iniciativas desenvolvidas pela UFG, está o projeto 90+, coordenado pela professora Valéria Pagotto, da Faculdade de Enfermagem (FEN/UFG), que realizou o mapeamento de pessoas com mais de 90 anos no estado de Goiás. Segundo a pró-reitora adjunta de Pesquisa e Inovação, Natália Del Angelo Aredes, o levantamento é importante para ampliar o conhecimento sobre essa população e contribuir para a elaboração de políticas públicas específicas para pessoas nessa faixa etária. O objetivo do projeto é mapear e observar questões como saúde, funcionalidade e bem-estar dessas pessoas.
Revitalizar-se
Criado em 2009, na Faculdade de Educação Física (FEF/UFG), o projeto Revitalizar-se busca promover qualidade de vida, autonomia e saúde para pessoas idosas por meio de atividades físicas. Atualmente, cerca de 180 pessoas participam das atividades, que incluem hidroginástica, modalidade mais procurada pelos participantes, dança, ginástica corporal e práticas corporais voltadas ao fortalecimento do corpo. Segundo a professora Vanessa Helena Santana Dalla Déa, criadora e coordenadora do projeto, mais de mil pessoas já passaram pela iniciativa desde sua criação. Alguns participantes, inclusive, frequentam as atividades desde os primeiros anos do projeto. Para a professora, o acolhimento é um dos fatores que contribuem para essa permanência: “Se ela [a pessoa idosa] se sente acolhida e sente que está tendo benefício, ela fica”.
Feira da Amizade
Durante o evento que foi sediado na Adufg foi promovida a Feirinha da Amizade que reúne cerca de 12 mulheres idosas que produzem artesanatos em casa e expõem seus trabalhos em eventos do Centro de Referência e Atenção à Saúde da Pessoa Idosa (Craspi), em Goiânia. Entre os produtos confeccionados estão panos de prato, forros de mesa e cama, agendas personalizadas e livros de receitas. A iniciativa surgiu a partir de um grupo de amigos da instituição e cresceu ao longo do tempo, tornando-se um espaço de exposição e comercialização das peças produzidas pelas participantes.
Além de possibilitar a comercialização de produtos, a feira é um espaço de interação social. Maria Luisa da Silva, de 74 anos, começou a frequentar o Craspi há muitos anos. Desde que entrou já fez cursos de bordado em ponto cruz, pintura, crochê, artesanato, biscuit, fuxico e de culinária. Maria Luiza explicou que começou a frequentar centros como o Craspi como uma forma de tentar driblar a depressão. “Para mim, artesanato é uma coisa que me preenche, que eu me entretenho, que eu esqueço até da solidão. É, é muito bom. Quem faz o bordado, que participa do artesanato, sabe que é uma coisa que não tem limite de alegria. É muito alegre porque a gente se encontra com as amigas, trocamos ideias e conhecimentos porque uma ensina a outra. [...] Para a feira do Craspi minha amiga falou, vamos bordar alguma coisa para apresentar e aí eu aceito e chamo outras amigas”, destaca.
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