Goiás terá outubro de calor intenso e chuvas irregulares
Boletim do CEMPA-Cerrado indica temperaturas próximas aos 42°C e concentração de chuvas no sudoeste
Outubro deve marcar o retorno gradual das chuvas a Goiás, mas de forma irregular e acompanhado por temperaturas acima da média. É o que aponta o novo boletim de previsão subsazonal do CEMPA-Cerrado. Segundo o documento, ainda há elevada incerteza sobre o comportamento das precipitações no estado, enquanto o sinal de calor é mais consistente.
A expectativa é de que os maiores volumes de chuva se concentrem principalmente no sudoeste goiano. Ao mesmo tempo, períodos prolongados de calor intenso poderão favorecer maior frequência de ondas de calor ao longo do mês. O cenário ocorre sob influência de um episódio de El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. que, segundo o boletim, está em processo de intensificação. Para Goiás, os efeitos do fenômeno aparecem de forma mais clara nas temperaturas, enquanto sua influência sobre as chuvas apresenta maior variação no espaço e no tempo.
Na primeira quinzena de outubro, os modelos apontam aumento da instabilidade atmosférica sobre o sudoeste de Goiás e a Região Metropolitana de Goiânia (RMG). No sudoeste, a probabilidade de precipitação acima da média climatológica varia entre 50% e 60%, com destaque para Rio Verde, Jataí e Santa Helena de Goiás. Entre os dias 7 e 13, entretanto, a tendência é de uma redução temporária da instabilidade e da frequência das chuvas.
Na Grande Goiânia, a chuva deverá ocorrer de maneira irregular e ocasional, com diferenças significativas entre uma área e outra. Mesmo com o aumento da instabilidade, o calor deve continuar: as temperaturas máximas poderão se aproximar dos 42°C em algumas localidades. Para Goiânia e boa parte da região metropolitana, o boletim projeta máximas entre 39°C e 42°C e mínimas entre 18°C e 20°C nos primeiros dias do mês. A média climatológica de chuva para a capital entre 1º e 15 de outubro é de aproximadamente 57,3 milímetros.
Chuva pode diminuir no meio do mês
Entre 16 e 22 de outubro, a previsão indica redução da instabilidade atmosférica em grande parte do estado, o que deverá favorecer períodos com menos chuva. A partir do dia 23, porém, as condições voltam a se tornar mais favoráveis à formação de áreas de instabilidade, principalmente no sudoeste goiano e na Região Metropolitana de Goiânia.
Rio Verde, Jataí e Santa Helena de Goiás devem novamente concentrar os maiores volumes, enquanto na Grande Goiânia as precipitações tendem a permanecer irregulares e mal distribuídas. As temperaturas continuarão elevadas, com máximas frequentemente acima dos 39°C, sobretudo durante as tardes e em períodos de menor nebulosidade e chuva. Para a segunda metade do mês, a média climatológica de precipitação em Goiânia é de aproximadamente 86,7 milímetros.
Um dos fatores capazes de interferir nesse comportamento é a Oscilação Madden-Julian (OMJ), um padrão de variabilidade atmosférica tropical que pode favorecer ou inibir a formação de chuvas em diferentes regiões. Segundo o boletim, sua interação com o El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. pode alterar a circulação atmosférica e contribuir para episódios de maior instabilidade sobre o Brasil Central.
El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. pode atingir intensidade muito forte
O boletim também apresenta a perspectiva climática para o trimestre de outubro a dezembro. De acordo com a análise, o El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. voltou a se fortalecer no último mês, com aumento das temperaturas das águas do Pacífico Equatorial e alterações na circulação atmosférica. As projeções indicam probabilidade superior a 90% de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027. Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, há ainda 75% de probabilidade de o evento atingir magnitude considerada histórica pelo critério utilizado no boletim.
Isso não significa, porém, que os efeitos ocorrerão da mesma maneira em todas as regiões. O próprio documento destaca que os impactos do El NiñoAquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. sobre as chuvas em Goiás não são uniformes nem determinísticos. Outros sistemas atmosféricos também influenciam quando, onde e quanto irá chover. Para o estado, o sinal mais consistente continua sendo o de temperaturas acima da média, com possibilidade de episódios persistentes de calor intenso.
Em novembro, a previsão ainda apresenta incertezas quanto às chuvas, que poderão alternar períodos de menor precipitação com episódios de maior instabilidade. Para a temperatura, entretanto, a probabilidade de valores acima da média climatológica varia entre 80% e 90% em algumas áreas de Goiás.
Já em dezembro, quando a estação chuvosa costuma estar estabelecida no Centro-Oeste, os modelos indicam maior probabilidade de precipitação abaixo da média em grande parte do território goiano. O sinal é mais evidente nas regiões central e norte e alcança também áreas do oeste e sudoeste. Ao mesmo tempo, a probabilidade de temperaturas acima da média varia entre 80% e 95% em algumas áreas.
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