Criatividade e conhecimento são essenciais para promover inclusão
Evento promove debates sobre capacitismo, acessibilidade e direitos na educação
O combate ao capacitismo e a garantia de acessibilidade na educação exigem mais do que adaptações físicas: demandam uma mudança de atitude. Para debater os desafios de romper com essas barreiras e construir um ambiente de ensino inclusivo, a Universidade Federal de Goiás (UFG) reuniu educadores e comunidade acadêmica no IX Simpósio de Educação Inclusiva, que teve como tema "Saberes em movimento: olhares para a inclusão em diferentes contextos educacionais".
O evento foi promovido pelo Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae) da UFG, entre os dias 16 e 19 de setembro, na Escola de Música, no Campus Samambaia. No dia 18 de setembro, o evento promoveu a mesa-redonda "Políticas de direitos e justiça social: o combate ao capacitismo na estrutura educacional", realizada em parceria com a Secretaria de Educação de Goiás, o Adufg-Sindicato e a Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape).
A mesa debateu as manifestações do capacitismo e as maneiras de combatê-lo. O debate reuniu Ana Cláudia Antônio Maranhão de Sá, diretora de Acessibilidade da UFG, e Renata Flores Tibyriçá, coordenadora da Comissão de Direitos das Pessoas com Deficiência e membro da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep). A mediação esteve sob a coordenação de Letícia de Souza Gonçalves, coordenadora pedagógica dos Anos Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio no Cepae.
Renata iniciou sua fala conceituando Pessoa com Deficiência (PCD) como o indivíduo que possui impedimento físico, mental, sensorial ou intelectual. "A pessoa com deficiência é apenas um corpo diferente, é uma pessoa como qualquer outra. Não se trata de um corpo incompleto, mas de um corpo diverso que enfrenta barreiras que limitam a sua participação na sociedade", discorreu.
Em relação ao ambiente escolar, Renata ressaltou a necessidade de superar a ideia de que existe um modelo padrão de aluno ou de sala de aula. "Achamos que, para estar inserido na sociedade, precisamos ter um corpo padrão e, quando você não tem, é difícil ser inserido. Por isso, a escola precisa repensar a sua estrutura e os alunos, sua postura".
A palestrante destacou atitudes no meio escolar que impedem a participação desses estudantes. "Não adianta colocar todo mundo na mesma sala se a pessoa com deficiência não pode participar das atividades".
A partir disso, a palestrante apresentou o conceito de capacitismo. "Quando não se enxergam as pessoas com deficiência como iguais, parte-se da ideia de que elas são pessoas diferentes e menos aptas a fazer determinadas atividades". Outro problema é a discriminação, em que a condição do indivíduo é usada para justificar limitações impostas a ele.
A profissional destacou a necessidade de medidas individualizadas de apoio que tenham como foco incluir e ressaltou a importância de uma transformação cultural e política em todos os ambientes educacionais. Para isso, segundo Renata, é preciso criatividade e investimento em pesquisas científicas.
A especialista também afirmou que a futura geração é responsável por levar essa nova visão para a sociedade. "A educação Inclusiva é a chave para contribuir para uma educação mais justa", finalizou.
Já a diretora de Acessibilidade da UFG abordou as formas de capacitismo no cotidiano, como atitudes, linguagem e superproteção. Ana Cláudia ressaltou que certas práticas pedagógicas podem ser capacitistas, como o isolamento de estudantes em alguma determinada atividade e a falta de acessibilidade durante dinâmicas ou provas.
Sobre o papel dos docentes, a diretora observou que os professores não são obrigados a saber de tudo, mas podem fazer a diferença tratando o estudante com empatia. "O professor não precisa — e não consegue — saber tudo, mas ele precisa escutar, perguntar e eliminar barreiras usando diferentes estratégias". E concluiu: "A inclusão não é um favor, a adaptação não é um privilégio e nem um benefício extra".
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