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MÍDIAS DIGITAIS

Comunicação pública busca espaço e estratégia nas redes sociais

Pesquisa da UFG analisa como Tribunais de Contas lidam com novas exigências de transparência e interação com a sociedade

Por Sofia Pimentel
22/09/2026 às 14:16 • 4 min leitura
Comunicação pública busca espaço e estratégia nas redes sociais
Estudo analisou estruturas de comunicação de 17 Tribunais de Contas do Brasil. Magnific

Em um ambiente informacional dominado pelas redes sociais, as estruturas de comunicação de órgãos públicos têm se modificado para se adaptar à lógica de comunicação contemporânea. Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Goiás (UFG) busca explicar justamente de que forma esse processo afetou a comunicação produzida pelos Tribunais de Contas em diferentes estados brasileiros.

Antes das redes sociais, os órgãos públicos utilizavam intermediários, como a imprensa, para se comunicar com a sociedade. "As redes sociais mudaram muito essa dinâmica de relação entre cidadão e Estado. Antes, o Estado, os organismos públicos e as entidades precisavam buscar uma interlocução, geralmente na própria imprensa, para poder informar a população. Claro que o Estado tinha seus recursos, como o Diário Oficial ou outras ferramentas, como TVs ou rádios públicas", afirma o pesquisador Bruno Balduino, que foi orientado pelo professor Tiago Mainieri.

O autor comenta que a entrada dos órgãos públicos nas redes sociais foi difícil no começo. "As redes sociais não possuíam a mesma força que têm hoje. As instituições estavam entrando nas redes sociais, estavam se arriscando, era um caminho que parecia muito ousado na época. Quem estava lá e se arriscava a estar nas plataformas era a vanguarda, na base da tentativa e erro".

Bruno argumenta que, atualmente, as redes possuem um papel estratégico para as instituições públicas, pois, com elas, a comunicação entre Estado e população é mais direta, além de poder contar com o feedback da população por meio de comentários. Para o pesquisador, a relação se tornou mais bilateral e sem intermediários, o que exige que os órgãos se planejem para estarem em evidência nesses espaços.

"Hoje, o cenário é de obrigação, você não tem mais a escolha de estar ou não nas redes sociais; inevitavelmente, precisa estar lá para dar satisfações e garantir transparência para a população. Portanto, hoje é uma dinâmica voltada a estar presente e entender qual mensagem você quer passar", considera Bruno.

Estrutura

A pesquisa analisou a estrutura dos setores de comunicação de 17 dos 26 Tribunais de Contas estaduais do Brasil. "Alguns Tribunais têm uma estrutura muito robusta de comunicação, enquanto outros têm equipes muito pequenas; alguns têm muita tecnologia, acesso a dispositivos eletrônicos e muitos serviços terceirizados contratados para dar suporte, enquanto outros não têm essa mesma possibilidade. Eu fiquei surpreendido pela falta de uniformidade", relata.

Segundo o pesquisador, é fundamental que os setores de comunicação dos órgãos públicos adotem planos de comunicação. "Hoje também é preciso ter uma política de comunicação que defina como vamos estar lá, qual mensagem queremos passar, com qual linguagem, e que tipo de abordagem vamos dar".

Diretrizes

Para auxiliar as instituições, a Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) sugere diretrizes para orientar a produção de conteúdos que promovam a cidadania, a transparência e a prestação de contas. Os 12 princípios da comunicação pública se fundamentam em: foco no cidadão, acesso amplo à informação, fomento ao diálogo, estímulo à participação, promoção de direitos, combate à desinformação, inclusão, sustentabilidade como política de Estado, impessoalidade, ética e eficiência.

"Afinal, também é um gasto público: se você produz um conteúdo para uma rede social que não segue essas diretrizes que a ABCPública institui, ele não gera benefícios ao cidadão. É um gasto de tempo, de recurso humano, de talento e de criatividade que acaba sendo jogado fora. Você produz, está ali na rede, mas não gera os resultados esperados de acordo com a política de comunicação do Tribunal e com a literatura de comunicação pública", conclui Bruno.

Acesse aqui a dissertação A comunicação dos tribunais de contas dos estados brasileiros: estrutura, conteúdo e gargalos da comunicação pública.

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