Comunicação pública busca espaço e estratégia nas redes sociais
Pesquisa da UFG analisa como Tribunais de Contas lidam com novas exigências de transparência e interação com a sociedade
Em um ambiente informacional dominado pelas redes sociais, as estruturas de comunicação de órgãos públicos têm se modificado para se adaptar à lógica de comunicação contemporânea. Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Goiás (UFG) busca explicar justamente de que forma esse processo afetou a comunicação produzida pelos Tribunais de Contas em diferentes estados brasileiros.
Antes das redes sociais, os órgãos públicos utilizavam intermediários, como a imprensa, para se comunicar com a sociedade. "As redes sociais mudaram muito essa dinâmica de relação entre cidadão e Estado. Antes, o Estado, os organismos públicos e as entidades precisavam buscar uma interlocução, geralmente na própria imprensa, para poder informar a população. Claro que o Estado tinha seus recursos, como o Diário Oficial ou outras ferramentas, como TVs ou rádios públicas", afirma o pesquisador Bruno Balduino, que foi orientado pelo professor Tiago Mainieri.
O autor comenta que a entrada dos órgãos públicos nas redes sociais foi difícil no começo. "As redes sociais não possuíam a mesma força que têm hoje. As instituições estavam entrando nas redes sociais, estavam se arriscando, era um caminho que parecia muito ousado na época. Quem estava lá e se arriscava a estar nas plataformas era a vanguarda, na base da tentativa e erro".
Bruno argumenta que, atualmente, as redes possuem um papel estratégico para as instituições públicas, pois, com elas, a comunicação entre Estado e população é mais direta, além de poder contar com o feedback da população por meio de comentários. Para o pesquisador, a relação se tornou mais bilateral e sem intermediários, o que exige que os órgãos se planejem para estarem em evidência nesses espaços.
"Hoje, o cenário é de obrigação, você não tem mais a escolha de estar ou não nas redes sociais; inevitavelmente, precisa estar lá para dar satisfações e garantir transparência para a população. Portanto, hoje é uma dinâmica voltada a estar presente e entender qual mensagem você quer passar", considera Bruno.
Estrutura
A pesquisa analisou a estrutura dos setores de comunicação de 17 dos 26 Tribunais de Contas estaduais do Brasil. "Alguns Tribunais têm uma estrutura muito robusta de comunicação, enquanto outros têm equipes muito pequenas; alguns têm muita tecnologia, acesso a dispositivos eletrônicos e muitos serviços terceirizados contratados para dar suporte, enquanto outros não têm essa mesma possibilidade. Eu fiquei surpreendido pela falta de uniformidade", relata.
Segundo o pesquisador, é fundamental que os setores de comunicação dos órgãos públicos adotem planos de comunicação. "Hoje também é preciso ter uma política de comunicação que defina como vamos estar lá, qual mensagem queremos passar, com qual linguagem, e que tipo de abordagem vamos dar".
Diretrizes
Para auxiliar as instituições, a Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) sugere diretrizes para orientar a produção de conteúdos que promovam a cidadania, a transparência e a prestação de contas. Os 12 princípios da comunicação pública se fundamentam em: foco no cidadão, acesso amplo à informação, fomento ao diálogo, estímulo à participação, promoção de direitos, combate à desinformação, inclusão, sustentabilidade como política de Estado, impessoalidade, ética e eficiência.
"Afinal, também é um gasto público: se você produz um conteúdo para uma rede social que não segue essas diretrizes que a ABCPública institui, ele não gera benefícios ao cidadão. É um gasto de tempo, de recurso humano, de talento e de criatividade que acaba sendo jogado fora. Você produz, está ali na rede, mas não gera os resultados esperados de acordo com a política de comunicação do Tribunal e com a literatura de comunicação pública", conclui Bruno.
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